sexta-feira

Lino França Jr.

Olá,

Nosso entrevistado da semana é o autor, que além de demonstrar sua paixão por um time escrevendo um livro, também promete muitos arrepios aos seus leitores com seus contos de terror.

Senhoras e senhores, com vocês: Lino França!

O livro “A Volta Do Todo Poderoso - Memórias de um Corintiano na Série B”, nos faz ver o quão grande pode ser a paixão de um torcedor pelo seu time. O que o motivou a escrever sobre a trajetória do Corinthians na série B?
A motivação foi exatamente a paixão pelo Corinthians. Escrever sobre o time em seu pior momento de sua gloriosa história só comprova como o torcedor corintiano é diferente de todas as demais, pois é nos momentos mais difíceis que ele mostra seu amor pelo clube. Com o livro foi exatamente assim. Seria mais fácil e motivador, escrever um livro sobre um título importante.

Quando começou a escrevê-lo? Foi no início do campeonato ou depois que o Corinthians voltou para Série A, você viu que aquela trajetória daria um bom livro?
Comecei a escrevê-lo no primeiro jogo do time na série B. Como disse, antes mesmo do campeonato começar eu já havia me decidido em escrever o livro. Assisti a todos os jogos do campeonato, alguns no estádio e a maioria na televisão. Gravei todos os 38 jogos e ainda os tenho guardados em dvd.

O livro foi sua primeira experiência como escritor ou você já escrevia antes?
Foi minha experiência com um livro solo, mas já havia publicado alguns contos em antologias, além de sites na internet.

No seu blog vemos que além do Corinthians, você tem outra paixão: histórias de terror. Como e quando você começou a escrever sobre o gênero?
Comecei a escrever em 2008. Antes disso já tinha feito alguns rascunhos do que ainda poderá vir a ser um romance de terror, mas em 2008 escrevi meu primeiro conto, chamado “Depois da Meia-Noite”. Publiquei-o no site Recanto das Letras e aceitação foi muito boa. Depois disso não parei mais.

Qual o prazer de provocar medo através de livros e contos?
Diferente da maioria dos autores do gênero que conheço, minha vontade de contar histórias de terror não foi motivada pela leitura de outros livros do gênero, e sim pelos filmes de terror, pelos quais sou fascinado. Por gostar tanto de assistir a esses filmes, e também de levar bons sustos surgiu minha vontade de também tentar provocar medo nos leitores.

Alguns contos de sua autoria foram publicados em várias antologias, como Sinistro! (Multifoco – 2009), Metamorfose - A Fúria dos Lobisomens (All Print - 2010) entre outras. Você acredita que essas antologias podem ajudar um escritor ainda não conhecido a ter seu trabalho divulgado?
Tenho certeza que sim. Sei que muita gente torce o nariz para essas antologias chamadas “pagas”, e é claro que o ideal seria que os autores não tivessem de desembolsar nenhum centavo para publicar seus contos, e simplesmente receber pelos direitos autorais, mas infelizmente a realidade no mercado literário nacional, principalmente no gênero fantástico, não atingiu ainda este patamar. Tenho absoluta convicção que estas antologias são muito importantes para que o autor sinta o gostinho de ver algo seu impresso em livro pela primeira vez. É uma experiência muito interessante, pois cada autor pode chegar a ser lido por quase mil leitores, ou até mais, e de repente, esse livro pode chegar às mãos de um editor fazendo com a carreira literária deste autor iniciante se consolide. Sem querer parecer ufanista, realmente acredito que se o autor tiver talento, essas antologias podem abrir a porta para um mercado tão difícil no Brasil.

Entre seus contos, há algum que você ache mais especial do que os outros?
Acredito que (modestamente) meus últimos contos são melhores do que os primeiros. Vamos aprendendo com nossos erros a partir do momento que nos dedicamos a escrever com mais freqüência. Além disso, aprendo a cada dia com os novos autores que exibem seus contos pela internet e em antologias. Sendo assim, sempre acredito que o conto mais novo é o mais bem escrito.

Você, junto com Frodo Oliveira, são os organizadores do livro“Bandeira Negra”, que será a primeira antologia de contos de piratas no Brasil. Como surgiu a idéia de fazer um livro sobre esse tema?
Depois de participar de algumas antologias como autor, tinha vontade de experimentar a organização de uma antologia igual àquelas que eu já havia participado. Levei a ideia à alguns editores que acharam que o tema não despertaria muito interesse. O único que acreditou na ideia foi o Frodo Oliveira da Multifoco.
A escolha pelos “piratas” foi exatamente pelo ineditismo do tema. E o resultado foi muito bom, com o recebimento de aproximadamente cinqüenta contos que resultaram na seleção de 23 textos que serão publicados na antologia.

A qualidade dos contos que receberam surpreendeu ou estavam dentro das expectativas?
Sim, recebemos contos ótimos. É claro que alguns deixaram a desejar como ocorre em qualquer tipo de seleção aberta como essa, mas o resultado foi muito bom, e tenho certeza que os leitores irão adorar o livro.

Você também é organizador da antologia “Olympus – Histórias da Mitologia”, que será lançado pela editora Literata e está com o prazo aberto para receber contos. Quais são as expectativas quanto ao livro?
As expectativas são as melhores possíveis. Mais uma vez fiz questão de abordar um tema inédito para as antologias de contos. Em apenas três dias de abertura para recebimento de contos já havia recebido cinco textos. A Mitologia Grega é um tema muito interessante, com personagens espetaculares, o que faz com que a diversidade de ideias para a criação dos contos surjam aos montes. O interesse pela antologia está acima do esperado.

Além desses projetos está envolvido com outro ou escrevendo outro livro?
Pode não parecer, mas a organização dessas antologias dá muito trabalho, então, por enquanto, não vou me atrever a organizar mais de uma delas por vez.
Estou finalizando um romance de terror (título provisório: O Bosque Secreto) e pretendo enviá-lo às editoras no início de 2011. Além deste tenho mais outros dois que estão pela metade aguardando a volta da inspiração para finalizá-los.

Quais são seu autores favoritos? Há algum que seja mais especial que os outros?
Essa pergunta é muito difícil de responder, pois gosto de muita gente. Ainda assim, acredito que meu autor preferido seja o Stephen King. Ele é um gênio, realmente. Além dele gosto muito de Tolkien, Lovecraft, Poe, Peter Straub e Algernon Blackwood.
Dos novos autores nacionais sou fã incondicional dos contistas Paulo Soriano, autor de “Histórias Nefastas”, e o saudoso Henry Evaristo, que escreveu “Um Salto para a Escuridão”.

Quando e como começou a escrever?
Fiz meu primeiro rascunho em 2005 quando estava de férias no litoral norte de São Paulo. Passeando de carro pelas estradas escuras me veio a primeira ideia para uma história de lobisomens que até hoje está engavetada. Desde então, comecei a anotar ideias que poderiam virar algo maior, mas foi somente em 2008 que comecei a escrever de verdade.

O quê escrever representa na sua vida?
Acima de tudo é um momento de relaxamento. Um momento de estar apenas consigo mesmo. Criar é sempre empolgante. Dar vida aos personagens e às cenas que brotam na nossa cabeça sem (quase) nenhuma censura é algo único.

O quê sua família pensa as respeito de sua carreira como escritor?
Todos me apóiam, mesmo que o gênero terror não seja o tema predileto de meus familiares. Acho que sou a única ovelha negra.

Todos sabem que para um escritor, os personagens são como uma espécie de filhos, logo, não dá para dizer que ama mais um do que outro. Mas existe algum mais especial do que os outros? Por quê?
Por enquanto não tenho nenhum em especial, mas tenho predileção pelos vilões das histórias. Acredito que eles sejam uma espécie de super-heróis as avessas, podendo fazer muito daquilo que muitas vezes tínhamos a vontade de fazer na vida real em algumas situações, mas não podemos...rs.

Você tem algum “ritual” quando vai escrever?
Não tenho, apenas gosto de silêncio quando escrevo.

Teve algum personagem que deu um trabalho a mais para ser elaborado?
Sim, alguns, mas todos eles estão presentes nos romances que ainda não finalizei. Os personagens de romances são muito mais complexos do que os de contos.

Momento Ping-Pong

Um livro: “A Zona Morta” (Stephen King)
Uma música: “Bedshaped” (Keane)
Um filme: Como a trilogia “O Senhor dos Anéis” está muito acima de qualquer outro filme já lançado na história do cinema e não cabe comparação, escolho “Um Sonho de Liberdade”; mas se tiver de escolher o melhor filme de terror, “O Exorcista” é insuperável.
Uma frase: “Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo prefiro acreditar no mundo do meu jeito”.
Um ídolo: Renato Russo
Um exemplo de vida: Meus pais.
Uma cor: Azul Marinho
Uma mania: Não deixar sapatos virados (dá azar...rs)
Um lugar: Praia da Enseada em Ubatuba – SP.
Um sonho: Que o mundo seja um lugar justo para todos.

Para encerrar, poderia dar alguma dica ou palavra de incentivo para quem está começando na carreira de escritor?
Se você gosta mesmo de escrever, escreva. Se começou a escrever aquele que seria um Best-Seller mundial, mas depois do primeiro capítulo, a inspiração desapareceu, guarde a ideia e parta para outra. Não tenha medo de expor suas idéias e seus textos, os críticos estão em todos os lugares, principalmente escondidos atrás da própria mediocridade.


12 comentários:

Almir Rodrigues disse...

Parabens! rafa o blog está lindo... está de parabens! continue assim , com objetivo pois você terá tudo que merece!

Julie disse...

Mto boa a entrevista!! Esse blog sempre se superando!!Parabéns! Sou fã

Isadora disse...

adoooro *-*

Cantinho She disse...

Simplesmente adorei a entrevista, parabéns e sucesso!

Beijo, beijo aos dois!
She

Rafaela Rocha disse...

Mesmo sendo flamenguista, acho que adoraria ler esse livro XD

Miss disse...

Não me interesso tanto por futebol, mas com escrita de qualidade qualquer tema fica interessante. ;)

Parabéns pela entrevista! E pelo layout do blog, tá lindo! *-*

Beijos da Miss!

q disse...

Parabéns pela entrevista !! Continua assi, Rafa <3

Beijos, Aleff

nauru disse...

suceso ao autor e au blog e quero deixar aqui q meu blog esta na campanha por vcs . Coloqueio link la
www.naurumendes.blogspot.com

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Luiz Poleto disse...

Bela entrevista. Lino é um dos grandes escritores da LitFan nacional atualmente.

NoEnoughtWords disse...

O mais fascinante de tudo é a capacidade criativa na hora de criar o título do livro sobre o Corinthians - embora eu não concorde com a frase! hahahahaha

Muito bom, gente muito talentosa.